Mas eu ainda gosto ....

... Eram essas as palavras que ecoavam em sua mente. Ele continuava o mesmo de antes, só que com uma única diferença, ainda pensava sucessivamente nela. Depois daquela última conversa que tiveram, as coisas ficaram mais claras em sua cabeça e a tristeza mais nítida e dolorosa. Desde que a moça anunciará sua viajem de estudos, os dois pouco se encontraram mas trocavam telefonemas quase todos os dias, criaram mais que um vinculo, agora estavam íntimos.
Ela, com seu jeito doce de mulher decidida invadia os desejos mais profundos do rapaz, fazendo sempre com que ele nunca escondesse o prazer a flor da pele que sentia a cada conversa com ela. Sim, ela sabia provocar, ela era vulgar quando queria e maioria das vezes tinha sucesso, principalmente com ele. No decorrer da semana ele não via a hora de chegar em casa, não para satisfazer seu cansaço, mas sim para se encontrar com a voz da garota. Eles tinham um horário certo para se falarem, normalmente no silêncio da madrugado, e como ele gostava dessa sensação, era como te-la em sua cama a noite inteira.
Terça Feira costumava ser a noite deles, pelo menos na cabeça dele. E agora depois de tudo que houve era difícil voltar a dormir, era um vazio no peito ligado a uma poderosa vontade de rebobinar o filme e começar tudo de novo. Impossível, se ele soubesse a dor que iria sentir depois nem teria dado aquela maldita carona, na verdade teria sim, só não se entregou mais porque a fogosa moça foi embora.
O fato é que as coisas esfriaram com o tempo e ele sabia que mais cedo ou mais tarde isso aconteceria, ela só ajudou antes que o previsto, falava dos homens que a possuíram e aqueles que iria dominar durante os dias de folga. Sim, ele estava incluso nesse meio, mas achava estranho O MODO COMO ela soltava essas palavras, pois parecia que tudo o que eles estavam vivendo não era real. E não era, não para ela.
No fundo ele era mais um rolo, um cara que nos momentos de carência supria suas necessidades e intensificava as dele, no fundo ele acreditou nela mesmo sabendo o fim da história, na verdade ela gostava dele ou pelo menos gostou mas ficou com medo e agiu por impulso, ela era assim, tinha essa mania de falar demais e ele era o besta que absorvia essas besteiras.

Naquela noite ele sentiu uma dor conhecida, era a dor do fim. Ela, com simples letras jogadas ao céu destruiu o o coração do rapaz como se faz com papel de carta velho, jogado e queimado na fogueira. Ele sentiu seu peito contraído, sua boca rachada e aquela falta de ar, ela não imaginava o buraco que formou no corpo dele, ela não sabia e ele não conseguia falar. Mas doía tanto que só de lembrar seu estômago embrulhava e seu coração batia quebrado pela dor, então ele resolveu contar o sofrimento a ela.
A moça ainda tinha seu encanto, ouvindo aquilo tentou contornar mas não conseguiu, ele não acreditava mais nela mas ainda a queria, com raiva e desejo mas ainda querendo. Por fim o rapaz continua pensando nela e ela sem graça para não magoa-lo de novo, acabou se afastando e inventando desculpas. Toda noite antes de dormir, ele olha o telefone e sonha em ser telepata, para assim quem sabe ela ouvir seus pensamentos e continuar ligando, todo noite ele lembra dela e para se confortar ele escuta ela sussurrar " Mas eu ainda gosto de você".

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