sábado, 23 de abril de 2016

Metrô

Logo que entrei no vagão foi a primeira coisa que reparei. Ele sentado no skate e encostado na porta. Estava de boné, camiseta preta, calça e tênis. Tinha pele morena que realçava seus olhos meio esverdeados, não conseguia parar de olhar. 

Aquela tarde era perfeita para dizer sim, para se arriscar e fazer o que nunca faço. Se ele pedisse meu telefone eu daria sem hesitar, mas não seria melhor passar meu e-Mail? pensei. Não, não. Quem nos dias de hoje escreveria  E-Mail, me questionei. Passou a estação que todos descem, ele não desceu e me olhou. Eu olhei e também não desci. 

Ainda dava tempo dele tentar uma conversa, e se isso acontecesse eu podia até pedir para ele me ensinar a andar de skate. Mas onde? se ele perguntasse, no parque , eu diria. Olhei para sua mão, imaginei ela segurando meu quadril enquanto eu me equilibrava no skate, era um domingo qualquer de um daqueles fins de tarde quente que deixa o céu amarelado. 

Naquele dia eu estava indo encontrar uma amiga, mas e se ele me pedisse para descer na estação seguinte, será que eu iria? não sei, acho que minha amiga iria entender se eu detalhasse a situação depois. Ela ficaria feliz por mim, eu ficaria com peso na consciência mesmo assim. 

Faltava uma estação. Imaginei contando essa história para meus amigos, que troquei telefone com um desconhecido, furei com uma amiga e desci em uma estação qualquer para me aventurar com um skatista gato por aí. Imaginei a reação deles também, do tipo " meu deus, que doida ou não acredito", nem eu. 

O sinal tocou, a porta abriu, a gente se olhou e assim se despediu. O trem foi embora e enquanto andava na estação olhei para trás, quem sabe ele não correu para tentar me alcançar, quem sabe se eu desacelerar meus passos ele consegue me encontrar. 

Quem sabe.

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